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A Mídia Cala pragmatic play casino -Sobre o Poder das Energias

O Brasil vivencia um considerável aumento no número de casos de trabalho escravo e de conflitos por terra e água no campo. O relatório dos Conflitos no Campo no Brasil 2022,pragmatic play casino - elaborado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), revela, por exemplo, que os assassinatos em decorrência de disputas por terra nas áreas rurais aumentaram 123% em relação a 2020. O caso da Bahia chama a atenção por apontar a presença dos empreendimentos eólicos como grandes causadores de conflitos. Em 2022, juntamente com o agronegócio, eles foram responsáveis por mais de 40% do total de conflitos no estado.

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Essa problemática se vincula a nossa história de país colonizado, revelando parte dos desafios para a promoção de direitos fundamentais e da justiça socioambiental, em especial para as comunidades tradicionais. Nesse contexto, o Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social está desenvolvendo a pesquisa “Energias Limpas: o que a mídia silencia”, que analisa a cobertura jornalística sobre as chamadas energias limpas.

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A pesquisa, que deve ser lançada no início de 2024, tem no seu corpus 566 matérias publicadas entre os anos de 2021 e 2023 em veículos de abrangência nacional e local. Falamos especificamente de: Agência Brasil, Folha de São Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Meio Norte (PI), Diário do Nordeste (CE), Tribuna do Norte (RN), Jornal da Paraíba (PB), Jornal do Commercio (PE) e A Tarde (BA). O estudo integra uma frente de análise crítica de mídia do Intervozes intitulada de Vozes Silenciadas, no bojo da qual são analisadas as coberturas jornalísticas da mídia tradicional comercial sobre temas de interesse público, particularmente atinentes aos direitos humanos e à cidadania.

A equipe de pesquisa já identificou algumas tendências preocupantes de silenciamentos. Paralelamente à invisibilidade de um debate complexo e mais aprofundado sobre o impacto da chegada das empresas de energias nas comunidades onde são instalados empreendimentos, ganham espaço, notadamente nos últimos três anos, narrativas acríticas em defesa das chamadas “energias renováveis” também adjetivada como "limpas". A narrativa sedutora, salvacionista e superficial aponta os grandes empreendimentos de energia eólica e solar como solução para a crise ambiental atravessada pelo planeta.

No entanto, é preciso refletir sobre como essa transição, liderada em especial por grandes empresas, tem impactado nos biomas e na vida das populações locais. Ao que parece, o modelo vigente de transição energética repete uma fórmula colonial de desenvolvimento que desinforma, expropria, mata, silencia territórios, povos e biomas.

A ideia de que o sertão é lugar de atraso e de que a caatinga e o cerrado só têm chão de terra batida e mato seco ainda está muito presente no discurso desenvolvimentista no Brasil. Quando um grande empreendimento, quer seja de mineração ou de energia eólica, chega a uma comunidade camponesa, ocorre uma transformação naquele território em proporções imensuráveis. Se, por um lado, o discurso das mídias hegemônicas ressalta a ideia de progresso, geração de emprego e renda, por outro lado, há o silenciamento sobre impactos que serão absorvidos pela comunidade e bioma, os quais vão desde o aumento dos preços de alimentos e moradia até o desaparecimento de espécies animais e vegetais nativas.

Leia mais: Em desertificação, Caatinga se fragiliza mais com chegada de indústrias de energia renovável

A equipe da pesquisa “Energias Limpas: o que a mídia silencia” realizou, em paralelo com o levantamento das matérias, uma escuta com representantes de comunidades impactadas pela chegada de grandes empreendimentos eólicos e fotovoltaicos. Esses/as relatam um modus operandi das empresas que inclui narrativas desencontradas, muitos não ditos, desinformação e contratos abusivos, de difícil interpretação. As consequências para os biomas em alguns casos são devastadoras, incluindo a supressão vegetal (termo técnico para o desmatamento), aumento de fluxo de veículos pesados e crescimento exponencial da população explorando recursos naturais, muitas vezes escassos, principalmente, água. As fazendas de energia solar, com placas fotovoltaicas colocadas sobre o solo, são um exemplo disso.

O crescimento da população nesses territórios traz ainda outros impactos sociais, os quais incluem aumento de abuso e exploração sexual, violência, alcoolismo e adicção, suicídios e assassinatos. A mídia tradicional comercial precisa se perguntar o quanto de sustentabilidade há neste processo, uma vez que o sacrifício de vidas é o oposto do sustentável.

Nordeste em foco

O Nordeste tem sido o foco prioritário dessas investidas.

No Ceará e Rio Grande do Norte, onde aerogeradores estão em processo de implantação no mar, os impactos se estendem ainda para pesca e mariscagem.

É importante salientar que as comunidades e povos tradicionais têm resistido como podem a esses empreendimentos, como é o caso do Polo da Borborema, na Paraíba.

Esta cobertura complexa, com diversidade de fontes e de olhares sobre o assunto se encontra também em tantos outros veículos de âmbito local e nacional, que não compõem essa mídia tradicional comercial que analisamos na pesquisa Vozes Silenciadas.

Transição energética sem justiça ambiental é um contrassenso.Esta é a primeira publicação de uma série de artigos sobre esse tema que serão veiculados nas próximas semanas, em parceria com o Brasil de Fato. A proposta é lançar luzes sobre esse tema a partir dos achados do Vozes Silenciadas, considerando que a comunicação social é um elemento que se relaciona diretamente com a justiça socioambiental.

Alfredo Portugalé educador e comunicador popular, integrante do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social; coordenador do Brasil de Fato na Bahia e mestre em Educação do Campo pela Universidade Federal do Reconcavo da Bahia (UFRB). É pesquisador e coordenador da edição do Vozes Silenciadas "Energias Limpas: o que a mídia silencia".

Nataly Queirozé jornalista, especialista em Ciência Política pela Universidade Católica de Pernambuco e doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco. É professora universitária e integrante do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social. É pesquisadora e coordenadora da edição do Vozes Silenciadas "Energias Limpas: o que a mídia silencia".

Edição: Rodrigo Chagas


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